24 de mar de 2012

Aos meus heróis

Há uns 4 anos, quando a faculdade estava no início e nenhum de nós sabia exatamente onde estava se metendo, a querida Naty Gigante me mostrou um texto que havia feito do qual nunca me esqueci. Na verdade, o tenho guardado junto com os meus. Resumidamente, dizia que nenhuma criança responde “advogado (a)” quando perguntado sobre o que quer ser quando crescer. A resposta é sempre bailarina, médico, bombeiro, jogador de futebol, professora – ou, no caso do meu irmãozinho “índio”.

A advocacia só surge no vocabulário de alguém anos mais tarde, quando o vestibular bate à porta, junto com as cobranças e responsabilidade. O pretenso estudante de Direito é aquele indeciso, que não sabe qual curso lhe cai melhor e, geralmente, está fugindo das exatas. Ouve alguns conselhos, é instigado pelas promessas dos concursos públicos ou tem algum profissional do ramo na família. Aí, encorajado mais pelas ilusões e sonhos do que por convicções, matricula-se em Direito.

Começam as aulas e a primeira desilusão que sofre é perceber que não será fácil. Muita leitura, cobrança, livros, leis, Códigos. Entre o trote, a praia e o bar, aquelas inocentes compilações jurídicas furtivamente se amontoam num canto do quarto. Tudo muito simples, até que lá pro terceiro período a coisa começa a ficar séria. Os papéis invadem qualquer recanto do lar. Mães e pais se zangam com a bagunça, mas só nos resta encolher os ombros e dizer “não tenho mais onde colocar tanta apostila e Xerox”. Ah, as Xerox. Como seríamos mais ricos sem as pequenas fortunas gastas com elas...

Chega o quinto período e lá fomos nós colocar roupas engraçadas e quentes. Projetos de adulto andando pelo Centro da cidade, desamparados, ansiosos, indo para Fórum, Varas, audiências e afins. Nosso dia a dia passou a ser ir de um lado para o outro, fazendo protocolo, conhecendo cartórios, salas de audiência, gabinetes de juízes, cabines de repartições públicas. E os amigos que não fazem Direito? E a família? Ou acham que é exagero, ou não ligam, dizendo que é “fase”. E nós rimos nervosos, como se compartilhássemos uma piadinha entre nós – fase e exagero, quem nos dera! É essa vida pontuada por prazos, compromissos e clientes que nos aguarda.

As reclamações misturam-se com a conformação e o gosto vai surgindo nas primeiras peças feitas, nos argumentos juridicamente perfeitos que magicamente surgem nas telas de computador, entre um e outro choro por esporro do chefe e xingamentos no twitter por estar indo...pra onde mesmo? Niterói, Cabo Frio, Mesquita? Lá vai o estagiário, cansado, cobrado, tenso, construir o futuro que nem sequer sabe qual vai ser. Agüenta tudo com a promessa de uma cerveja numa sexta à noite, de um namoro no final de semana, de uma nightzinha necessária de cada mês.

E aí chega do último período de faculdade. O maldito. Sim. Aquele sombrio e tenebroso último ano, coroado com a monografia, as provas de concurso e.....o exame da OAB. Qual de nós nunca sentiu um arrepiozinho ao pensar nela? E lá veio a bendita, se aproximando e sambando em nossa cara. Roubou nossas férias, nossa tranqüilidade, nossos pensamentos e trouxe muita dedicação, compromisso e estudo. Em níveis alarmantes. Parentes e amigos, que já haviam se conformado com nossa ausência, ficaram se perguntando “cadê Fulano? Onde está Ciclana?”. Namorado? Nosso caso de amor foi com a Constituição. Foi um caso tórrido e fulminante, que inibiu todo o resto. Praia? Ouvi outro dia que estava amarela, devido a falta de Sol.

E o Dia D é amanhã. Sim,estou ansiosa, dormi mal, sonhei com a prova. Mas quer saber? Estou muito orgulhosa. Em apenas três meses, chegamos longe demais. Aplicamos-nos muito e absorvemos uma quantidade grande de informações. Não sei o que vai acontecer, mas torço para que nos ocorra o que for melhor.

Amigos, estou extremamente orgulhosa de cada um de nós. Obrigada pelo apoio de vocês durante os últimos meses. Amo vocês.

A vermelhinha é nossa.

Boa sorte, senhoras e senhores.

Aos meus heróis

Há uns 4 anos, quando a faculdade estava no início e nenhum de nós sabia exatamente onde estava se metendo, a querida Naty Gigante me mostrou um texto que havia feito do qual nunca me esqueci. Na verdade, o tenho guardado junto com os meus. Resumidamente, dizia que nenhuma criança responde “advogado (a)” quando perguntado sobre o que quer ser quando crescer. A resposta é sempre bailarina, médico, bombeiro, jogador de futebol, professora – ou, no caso do meu irmãozinho “índio”.

A advocacia só surge no vocabulário de alguém anos mais tarde, quando o vestibular bate à porta, junto com as cobranças e responsabilidade. O pretenso estudante de Direito é aquele indeciso, que não sabe qual curso lhe cai melhor e, geralmente, está fugindo das exatas. Ouve alguns conselhos, é instigado pelas promessas dos concursos públicos ou tem algum profissional do ramo na família. Aí, encorajado mais pelas ilusões e sonhos do que por convicções, matricula-se em Direito.

Começam as aulas e a primeira desilusão que sofre é perceber que não será fácil. Muita leitura, cobrança, livros, leis, Códigos. Entre o trote, a praia e o bar, aquelas inocentes compilações jurídicas furtivamente se amontoam num canto do quarto. Tudo muito simples, até que lá pro terceiro período a coisa começa a ficar séria. Os papéis invadem qualquer recanto do lar. Mães e pais se zangam com a bagunça, mas só nos resta encolher os ombros e dizer “não tenho mais onde colocar tanta apostila e Xerox”. Ah, as Xerox. Como seríamos mais ricos sem as pequenas fortunas gastas com elas...

Chega o quinto período e lá fomos nós colocar roupas engraçadas e quentes. Projetos de adulto andando pelo Centro da cidade, desamparados, ansiosos, indo para Fórum, Varas, audiências e afins. Nosso dia a dia passou a ser ir de um lado para o outro, fazendo protocolo, conhecendo cartórios, salas de audiência, gabinetes de juízes, cabines de repartições públicas. E os amigos que não fazem Direito? E a família? Ou acham que é exagero, ou não ligam, dizendo que é “fase”. E nós rimos nervosos, como se compartilhássemos uma piadinha entre nós – fase e exagero, quem nos dera! É essa vida pontuada por prazos, compromissos e clientes que nos aguarda.

As reclamações misturam-se com a conformação e o gosto vai surgindo nas primeiras peças feitas, nos argumentos juridicamente perfeitos que magicamente surgem nas telas de computador, entre um e outro choro por esporro do chefe e xingamentos no twitter por estar indo...pra onde mesmo? Niterói, Cabo Frio, Mesquita? Lá vai o estagiário, cansado, cobrado, tenso, construir o futuro que nem sequer sabe qual vai ser. Agüenta tudo com a promessa de uma cerveja numa sexta à noite, de um namoro no final de semana, de uma nightzinha necessária de cada mês.

E aí chega do último período de faculdade. O maldito. Sim. Aquele sombrio e tenebroso último ano, coroado com a monografia, as provas de concurso e.....o exame da OAB. Qual de nós nunca sentiu um arrepiozinho ao pensar nela? E lá veio a bendita, se aproximando e sambando em nossa cara. Roubou nossas férias, nossa tranqüilidade, nossos pensamentos e trouxe muita dedicação, compromisso e estudo. Em níveis alarmantes. Parentes e amigos, que já haviam se conformado com nossa ausência, ficaram se perguntando “cadê Fulano? Onde está Ciclana?”. Namorado? Nosso caso de amor foi com a Constituição. Foi um caso tórrido e fulminante, que inibiu todo o resto. Praia? Ouvi outro dia que estava amarela, devido a falta de Sol.

E o Dia D é amanhã. Sim,estou ansiosa, dormi mal, sonhei com a prova. Mas quer saber? Estou muito orgulhosa. Em apenas três meses, chegamos longe demais. Aplicamos-nos muito e absorvemos uma quantidade grande de informações. Não sei o que vai acontecer, mas torço para que nos ocorra o que for melhor.

Amigos, estou extremamente orgulhosa de cada um de nós. Obrigada pelo apoio de vocês durante os últimos meses. Amo vocês.

A vermelhinha é nossa.

Boa sorte, senhoras e senhores.

24 de nov de 2011

Conselhos de Mãe

Inspirada pelo @caioo, me propus pensar sobre os conselhos que darei ao meu filho. Sim, ainda faltam MUITOS anos, mas foi um exercício divertido. Como sempre tive absoluta certeza de que se tratará de um garoto, imaginei aconselhamentos próprios para este sexo. Pode ser que minhas idéias mudem até lá, mas creio que o essencial está aqui:

1. Desconfie de verdades absolutas. Geralmente elas vêm de pessoas teimosas e pouco propícias ao debate.

2. Não ache que o mundo lhe deve algo só pelo fato de você ser bonito e/ou inteligente.

3. Seja um desbravador:leia.

4. Ao fazer um poema para uma garota, jamais rime “amor” com “dor”. Isso é brega.

5. Ninguém, absolutamente NINGUÉM, é insubstituível.

6. Mulher alguma vale o fim da dignidade de um homem.

7. Atitude, foco e dignidade. Atitude, pois os passivos ficam para trás. Foco, para não sair do seu caminho. E dignidade, para trilhá-lo da melhor forma possível.

8. Cometa erros e ria deles depois.

9. Um dos maiores benefícios da juventude é ter a eternidade em seu favor. Não a desperdice.

10. Viva muito e intensamente porque chegará um tempo em que tudo que será ao seu lado serão memórias.

11. Escape para o seu próprio mundo, de vez em quando. A realidade pode ser mesmo uma merda. Mas saiba a hora certa de voltar.

12. Não seja humilde se você tiver a oportunidade de ser sincero.


Algum conselho a adicionar na lista?

27 de out de 2011

En Libertad

Liberdade de expressão, vocês me dizem. Eu argumento com dignidade da pessoa humana e limitação a qualquer direito, ainda que fundamental. Nenhuma prerrogativa é absoluta em nosso ordenamento jurídico, existem (sempre) algumas outras garantias em jogo. Os exemplos são vastos.

Liberdade de locomoção, vocês me dizem. Eu sustento que a minha cidade, Rio de Janeiro, uma das maiores do País, não está preparada para lidar com as necessidades específicas dos portadores de deficiência. Basta ver a quantidade ínfima de rampas existentes em ruas e edifícios. Aliás, poucos sabem, mas a existências destas em prédios públicos é obrigatória por força de lei.


Liberdade de educação, vocês me dizem. Eu mostro a Portaria nº 4 do Ministério da Educação, que pretende fechar as escolas especialmente voltadas aos portadores de necessidades especiais (exemplo: Instituto Nacional dos surdos-mudos, localizado em Laranjeiras, zona sul do Rio) . Estabelece, ainda, a compulsoriedade da matrícula destes educandos em centros regulares de ensino público. Não que a intenção do MEC seja ruim. Não: eles apenas almejam a integração social de forma ampla e efetiva. Mas forçar o convívio é o melhor caminho? Onde fica a auto-determinação do aluno e de sua família na hora de optar por determinado viés pedagógico?

Liberdade sexual, vocês me dizem. Eu digo que há inúmeras estatísticas, reportagens e afins que atestam a intolerância suportada pelos gays em geral. E isso vai de agressões verbais aos maiores espetáculos de violência e intolerância. A Constituição, lei máxima que rege nossa República, assegura em seu artigo 1º e 5º a igualdade entre os cidadãos. Igualdade apenas teórica, visto que há segmentos sociais desprezados, marginalizados e carentes. O exemplo dos homossexuais é paradigmático e ilustra como, ainda hoje, se faz necessário que determinada categoria social se insurja para reclamar seus direitos. Sim, a igualdade estabelecida em lei não é idealizada: é o tratamento igual dos iguais e desigual dos desiguais, na medida de sua desigualdade. Isso faz sentido e seria ótimo se, de fato, existisse. Parece utopia a cada dia que passa.

Liberdade de opinião, vocês me dizem. Eu lembro que o “bullying” está sob os holofotes, justamente porque o exótico ainda é encarado com repulsa e intolerância, ao invés de fascínio e compreensão. Convivemos com dois movimentos simultâneos e contrários: a repulsa da diversidade e a aceitação do "outkast". Isso é, ao mesmo tempo em que se afasta alguns comportamentos e/ou pessoas, está na moda determinar-se como membro de grupo outrora excluído. Está no mainstream ser nerd, por exemplo.

Liberdade de auto-determinação dos povos, vocês me dizem. Eu mostro que, em pleno século XXI, há países que se lançam em verdadeiras Cruzadas, instigados por sentimentos nacionalistas, de medo, ódio, insegurança. Ademais, nossa visão ocidentalizada pouco compreende certos ensinamentos e ponto de vistas orientais. Por vezes, nas menores manifestações, nos pegamos questionando a plausibilidade de determinado hábito de povos que pouco conhecemos. Isso também é uma forma de imposição, não é? Nações, a ONU, os governantes, enfim, alguém tem legitimidade para impor dogmas, certezas e crenças?

Às vezes, um conceito jurídico indeterminado confunde a cabeça do estudante de Direito, que tende a filosofar e querer mudar o mundo. Afinal, o que significa essa tal de liberdade?

19 de set de 2011

Ensaio sobre o amor

Filmes, livros, novelas, contos de fadas. Diariamente somos expostos a diferentes plataformas que parecem berrar uma só instrução, em uníssono: "ame". Ainda pequenos, somos ensinados que nenhum sentimento é mais pueril ou nobre do que o amor, e que tão somente ele é capaz de libertar-nos das diversas provações que a vida nos determina.

Bem, ninguém nunca parou pra me ensinar como amar. Eu tive que aprender sozinha.Levou alguns anos e muita observação para reunir algumas informações importantes e básicas, tudo aprendido na base da tentativa e erro, erro e tentativa. Às vezes, dar murro na parede resolve. Outras, basta fechar os olhos e suspirar. Tem ainda aqueles casos sérios em que é necessário uma amiga, um pote de sorvete e um filme bobo. Então, isso significa que amor não basta?


Não. Ninguém me disse que, para amar outra pessoa, primeiro é preciso aceitá-la do jeito que é. Portanto, senhoras e senhores, é necessário saber dos "limites" - que impomos e que são impostos- sobre o objeto de afeto. A convivência é uma arte que poucos dominam. Sei que requer paciência, aceitação, cuidado, conhecimento, tempo. Doses múltiplas de coisas que tenho tão pouco. Mesmo nas mais banais formas de relacionamento esse "pacote" é indispensável. Pense, por exemplo, naquele seu amigo de colégio ou faculdade cuja determinada característica tanto irritava os demais. Por que você foi capaz de acolhê-lo e os outros nem tanto? Porque foi feito um difícil exercício de aceitação. Antes do amor, vem o convívio e, com ele, a aceitação.


Também não me disseram que, para realmente amar o próximo, devemos desfazer de pedaços de nós mesmos, abrir mão de certos caprichos e cultivarmos a tolerância. Não sabia que, para amar uma amiga, um irmão, uma tia ou um homem, necessito, antes, amar a mim, saber dos meus parâmetros, dos meus porquês; para só então decidir que parte de mim vou amenizar para que aquele relacionamento funcione. Não se engane: nenhuma relação dá certo sem sucessivas concessões - de todos os lados.


E, por fim, soube que o amor dói por essência. Que é um sentimento nobre porque nos força a moldar o caráter e tomar decisões. Afinal, que fazer com todas as dores de cabeça que ele nos traz?

5 de jan de 2011

Somente o Necessário

Faça uma lista das dez coisas que você realmente precisa.Sabe, aquele Top Ten do Must Do,Must Have. Gaste o tempo que for necessário com isso:é um exercício importante de ponderação. Pense sobre aquelas coisas ou pessoas sem as quais o dia fica sem graça, incompleto. Pronto?

Pois bem, risque a lista toda. Nada do que tenha escrito é tão prioriário quanto você mesmo. Soa pedante, piegas e chato, mas é isso aí. A verdade é que, 24 horas por dia, perseguimos aquilo que queremos. Mesmo que estejamos encurralados em salas de aula e de escritório chatos, suportamos porque há um contracheque no fim do mês. Ainda que estejamos presos em relacionamentos não tão agradáveis quanto deveriam ser, toleramos algumas convivências por socialização, comodidade,masoquismo, indentificação. O ponto importante é: somos o eixo da nossa existência.

Assim, nada é mais importante para uma vida boa e descontraída do que a paz interna. E isso é atingido pelo autoconhecimento. Reflexões profundas e íntimas. Foi em um desses monólogos que consegui aprender uma lição: não deposite sua felicidade em alheios. Deixe que os outros participem da sua alegria, dissemine-a, mas nunca permita que sejam o motivo do seu sorriso. Muitos dos que conhecemos estão apenas de passagem pela nossa vida, e quando lhes confiamos nossa intimidade, eles se vão com parcelas irreproduzíveis de quem somos.

Seja sincero, verdadeiro, inteiro. Conheça e seja explorado. Mas sempre guarde uma porção de si intocável, inatingível. Novamente, é uma quarta feira e minha cabeça está bastante confusa. Por uma série de razões, algumas das minhas teorias sobre a vida estão sendo questionadas. Então, me peguei pensando: qual o relacionamento mais longo que já tive? Durou vinte um anos, comigo mesma. Sejamos sinceros: não é uma relação que vai terminar tão cedo. Portanto, pareceu bastante sensato fazer as pazes.

E, se para tal for preciso que eu esteja no topo da Must Do, Must Have List, que assim seja.


22 de dez de 2010

Evento aleatório e improvável

Quais são as chances de você conhecer uma baixinha de All Star sujo, coberta de rosa da cabeça aos pés, que lê a Divina Comédia? Quais as oportunidades de encontrá-la tomando uma Coca – Cola, vestindo a camisa do Glorioso, se esparramando na grama do aterro com Vigiar e Punir do lado? Qual a probabilidade de vê-la no shopping, olhando as vitrines, admirando coisas que não vai comprar, rindo com um amigo (gay ou hetero), falando besteira e mandando duas mensagens de texto por segundo?

Isso sou eu, essa estranha combinação de fatores isolados. Mais carteado do que isso, só mesmo você ter me encontrado no Twitter por sorte (ou azar, vai saber); em frente a General Severiano, na estação do metrô, na escola ou na faculdade. Sabe... Essas conspirações loucas do Universo para que pessoas desconhecidas nutram algo em comum: compatibilidade. Dentre todas as zilhões de almas que existem no planeta, algumas cruzam meu caminho. Deste grupo, uma parcela contraiu afinidade comigo. E um quinhão dessa parcela são meus parentes e amigos. Quais as chances disso acontecer?

Se estivéssemos na Grécia antiga, diria que foi trabalho das Parcas, as tecelãs do destino. Se fosse religiosa, diria que foi Deus. Sei lá, alguma mágica qualquer. Fato é: me intriga saber que, de alguma matemática bizarramente insana feita por alguém, resultou esse grupamento de pessoas com quem divido meu dia. Dentre todas as faculdades de Direito, parei na FGV, dentre todos os colégios possíveis, cursei o Zacca na turma de Humanas, dentre todos os alvinegros possíveis, tenho a amizade de alguns; dentre todos os gays espalhados pelo Rio de Janeiro, conheço uns dez ou vinte. O quão curioso isso é?

O que mais me interessa, no momento, é saber por quê raios, de um sábado à noite do qual nada esperava, me surgiu um enigma. Desse jeito mesmo, num lançar de dados invisíveis, me deparo com um garoto que usa Power Balance, mesmo sabendo que não funciona. Um garoto que riu de mim e comigo, que desembesta a falar em Inglês quando fica sem graça, que não curte futebol (!?), que tem sido a companhia mais engraçada que já tive. Esse menino, que consegue estranhamente fazer a Terra parar de girar, surgiu em um evento aleatório e improvável. Nem do Herrera eu lembro, quando estamos juntos.

É uma quarta-feira, está tarde, estou cansada e com bastante soninho. E nessas condições anormais de temperatura e pressão, não consigo parar de tentar calcular quais eram as chances disso tudo acontecer. Quanto mais me surgem perguntas, mais distantes ficam as respostas. E sequer lembro como se faz uma árvore de Teoria dos Jogos.

Vai entender.