22 de dez de 2010

Evento aleatório e improvável

Quais são as chances de você conhecer uma baixinha de All Star sujo, coberta de rosa da cabeça aos pés, que lê a Divina Comédia? Quais as oportunidades de encontrá-la tomando uma Coca – Cola, vestindo a camisa do Glorioso, se esparramando na grama do aterro com Vigiar e Punir do lado? Qual a probabilidade de vê-la no shopping, olhando as vitrines, admirando coisas que não vai comprar, rindo com um amigo (gay ou hetero), falando besteira e mandando duas mensagens de texto por segundo?

Isso sou eu, essa estranha combinação de fatores isolados. Mais carteado do que isso, só mesmo você ter me encontrado no Twitter por sorte (ou azar, vai saber); em frente a General Severiano, na estação do metrô, na escola ou na faculdade. Sabe... Essas conspirações loucas do Universo para que pessoas desconhecidas nutram algo em comum: compatibilidade. Dentre todas as zilhões de almas que existem no planeta, algumas cruzam meu caminho. Deste grupo, uma parcela contraiu afinidade comigo. E um quinhão dessa parcela são meus parentes e amigos. Quais as chances disso acontecer?

Se estivéssemos na Grécia antiga, diria que foi trabalho das Parcas, as tecelãs do destino. Se fosse religiosa, diria que foi Deus. Sei lá, alguma mágica qualquer. Fato é: me intriga saber que, de alguma matemática bizarramente insana feita por alguém, resultou esse grupamento de pessoas com quem divido meu dia. Dentre todas as faculdades de Direito, parei na FGV, dentre todos os colégios possíveis, cursei o Zacca na turma de Humanas, dentre todos os alvinegros possíveis, tenho a amizade de alguns; dentre todos os gays espalhados pelo Rio de Janeiro, conheço uns dez ou vinte. O quão curioso isso é?

O que mais me interessa, no momento, é saber por quê raios, de um sábado à noite do qual nada esperava, me surgiu um enigma. Desse jeito mesmo, num lançar de dados invisíveis, me deparo com um garoto que usa Power Balance, mesmo sabendo que não funciona. Um garoto que riu de mim e comigo, que desembesta a falar em Inglês quando fica sem graça, que não curte futebol (!?), que tem sido a companhia mais engraçada que já tive. Esse menino, que consegue estranhamente fazer a Terra parar de girar, surgiu em um evento aleatório e improvável. Nem do Herrera eu lembro, quando estamos juntos.

É uma quarta-feira, está tarde, estou cansada e com bastante soninho. E nessas condições anormais de temperatura e pressão, não consigo parar de tentar calcular quais eram as chances disso tudo acontecer. Quanto mais me surgem perguntas, mais distantes ficam as respostas. E sequer lembro como se faz uma árvore de Teoria dos Jogos.

Vai entender.

7 de dez de 2010

Preto e branco insolúvel

Dezembro chegou, pensei que não iria conseguir. Dois mil e dez se encaminha para o fim e, depois do ano - perrengue que passei, só posso respirar aliviada. Foram 12 meses particularmente complicados, cheio de altos e baixos e pouco espaço para respirar. Simplesmente #tenço.

Olhando para trás, só posso concluir que fui obrigada a abandonar uma parte de mim que era muito inocente. Fui compelida a crescer. Remédios que não são amargos não surtem efeito. Assim, cá estou! Doze meses mais velha, doze meses mais vivida, doze meses mais... Enfim. Um ciclo se fecha coroado por muitas risadas, lágrimas, surpresas e novidades.

Sem dúvida, foi um ano marcado por novas experiências: primeiro estágio, primeira vez como monitora, primeiro concurso público. As novidades não foram apenas no campo acadêmico: aprendi a me reafirmar como pessoa, a ouvir mais, a procurar informações, e a me esforçar para aceitar os outros como são. Amadureci na marra e o “in between’’ não foi agradável.

Pela primeira vez, amigos que amo muito vão se separar de mim. Vão pra longe, inalcançáveis pelo meu abraço. Sentirei falta deles, embora possa conservá-los no pensamento e no coração. É uma parte de mim alçando vôo para o outro lado do Atlântico. As cadeiras vazias de vocês, na faculdade, vão simbolizar mais do que consigo descrever.

E, também, pela primeira vez, criei laços profundos em pouco tempo. Falo dos meus botafoguenses, daqueles com quem compartilhei sentimentos indescritíveis nos últimos meses do Campeonato Brasileiro. À eles, meus agradecimentos, por ter feito esse fim de ano ser memorável. Por todos os telefonemas, conversas, broncas, risadas, confidências, idas aos treinos e aos jogos. Foram meses insanamente estranhos.

Certa vez, me disseram que o melhor do Botafogo são as amizades que ele ajuda a cultivar. Arrisco a afirmar que essa frase não poderia estar mais correta. Obrigada, então: Thiagos, Carols, Lennon, Nessa, João, Ian, Joás, Breno, Ana, Lucas (o porquinho!), Hermínia, Cayo, Felipe, LahhDraven, Isabella; e tantos outros com quem dividi o sentimento preto e branco.

Igualmente registro meus agradecimentos e abraços àqueles que fazem parte da comunidade colorida, que me carregaram pras nights mais divertidas que já tive. Sempre me alegrando e ouvindo. E, claro, trazendo dignidade pro meu cabelo.

Que venha 2011.

Obs: E,claro, obrigada Herrera...Por ser o Hererra. *_* SEU LINDO.