24 de nov. de 2011

Conselhos de Mãe

Inspirada pelo @caioo, me propus pensar sobre os conselhos que darei ao meu filho. Sim, ainda faltam MUITOS anos, mas foi um exercício divertido. Como sempre tive absoluta certeza de que se tratará de um garoto, imaginei aconselhamentos próprios para este sexo. Pode ser que minhas idéias mudem até lá, mas creio que o essencial está aqui:

1. Desconfie de verdades absolutas. Geralmente elas vêm de pessoas teimosas e pouco propícias ao debate.

2. Não ache que o mundo lhe deve algo só pelo fato de você ser bonito e/ou inteligente.

3. Seja um desbravador:leia.

4. Ao fazer um poema para uma garota, jamais rime “amor” com “dor”. Isso é brega.

5. Ninguém, absolutamente NINGUÉM, é insubstituível.

6. Mulher alguma vale o fim da dignidade de um homem.

7. Atitude, foco e dignidade. Atitude, pois os passivos ficam para trás. Foco, para não sair do seu caminho. E dignidade, para trilhá-lo da melhor forma possível.

8. Cometa erros e ria deles depois.

9. Um dos maiores benefícios da juventude é ter a eternidade em seu favor. Não a desperdice.

10. Viva muito e intensamente porque chegará um tempo em que tudo que será ao seu lado serão memórias.

11. Escape para o seu próprio mundo, de vez em quando. A realidade pode ser mesmo uma merda. Mas saiba a hora certa de voltar.

12. Não seja humilde se você tiver a oportunidade de ser sincero.


Algum conselho a adicionar na lista?

27 de out. de 2011

En Libertad

Liberdade de expressão, vocês me dizem. Eu argumento com dignidade da pessoa humana e limitação a qualquer direito, ainda que fundamental. Nenhuma prerrogativa é absoluta em nosso ordenamento jurídico, existem (sempre) algumas outras garantias em jogo. Os exemplos são vastos.

Liberdade de locomoção, vocês me dizem. Eu sustento que a minha cidade, Rio de Janeiro, uma das maiores do País, não está preparada para lidar com as necessidades específicas dos portadores de deficiência. Basta ver a quantidade ínfima de rampas existentes em ruas e edifícios. Aliás, poucos sabem, mas a existências destas em prédios públicos é obrigatória por força de lei.


Liberdade de educação, vocês me dizem. Eu mostro a Portaria nº 4 do Ministério da Educação, que pretende fechar as escolas especialmente voltadas aos portadores de necessidades especiais (exemplo: Instituto Nacional dos surdos-mudos, localizado em Laranjeiras, zona sul do Rio) . Estabelece, ainda, a compulsoriedade da matrícula destes educandos em centros regulares de ensino público. Não que a intenção do MEC seja ruim. Não: eles apenas almejam a integração social de forma ampla e efetiva. Mas forçar o convívio é o melhor caminho? Onde fica a auto-determinação do aluno e de sua família na hora de optar por determinado viés pedagógico?

Liberdade sexual, vocês me dizem. Eu digo que há inúmeras estatísticas, reportagens e afins que atestam a intolerância suportada pelos gays em geral. E isso vai de agressões verbais aos maiores espetáculos de violência e intolerância. A Constituição, lei máxima que rege nossa República, assegura em seu artigo 1º e 5º a igualdade entre os cidadãos. Igualdade apenas teórica, visto que há segmentos sociais desprezados, marginalizados e carentes. O exemplo dos homossexuais é paradigmático e ilustra como, ainda hoje, se faz necessário que determinada categoria social se insurja para reclamar seus direitos. Sim, a igualdade estabelecida em lei não é idealizada: é o tratamento igual dos iguais e desigual dos desiguais, na medida de sua desigualdade. Isso faz sentido e seria ótimo se, de fato, existisse. Parece utopia a cada dia que passa.

Liberdade de opinião, vocês me dizem. Eu lembro que o “bullying” está sob os holofotes, justamente porque o exótico ainda é encarado com repulsa e intolerância, ao invés de fascínio e compreensão. Convivemos com dois movimentos simultâneos e contrários: a repulsa da diversidade e a aceitação do "outkast". Isso é, ao mesmo tempo em que se afasta alguns comportamentos e/ou pessoas, está na moda determinar-se como membro de grupo outrora excluído. Está no mainstream ser nerd, por exemplo.

Liberdade de auto-determinação dos povos, vocês me dizem. Eu mostro que, em pleno século XXI, há países que se lançam em verdadeiras Cruzadas, instigados por sentimentos nacionalistas, de medo, ódio, insegurança. Ademais, nossa visão ocidentalizada pouco compreende certos ensinamentos e ponto de vistas orientais. Por vezes, nas menores manifestações, nos pegamos questionando a plausibilidade de determinado hábito de povos que pouco conhecemos. Isso também é uma forma de imposição, não é? Nações, a ONU, os governantes, enfim, alguém tem legitimidade para impor dogmas, certezas e crenças?

Às vezes, um conceito jurídico indeterminado confunde a cabeça do estudante de Direito, que tende a filosofar e querer mudar o mundo. Afinal, o que significa essa tal de liberdade?

19 de set. de 2011

Ensaio sobre o amor

Filmes, livros, novelas, contos de fadas. Diariamente somos expostos a diferentes plataformas que parecem berrar uma só instrução, em uníssono: "ame". Ainda pequenos, somos ensinados que nenhum sentimento é mais pueril ou nobre do que o amor, e que tão somente ele é capaz de libertar-nos das diversas provações que a vida nos determina.

Bem, ninguém nunca parou pra me ensinar como amar. Eu tive que aprender sozinha.Levou alguns anos e muita observação para reunir algumas informações importantes e básicas, tudo aprendido na base da tentativa e erro, erro e tentativa. Às vezes, dar murro na parede resolve. Outras, basta fechar os olhos e suspirar. Tem ainda aqueles casos sérios em que é necessário uma amiga, um pote de sorvete e um filme bobo. Então, isso significa que amor não basta?


Não. Ninguém me disse que, para amar outra pessoa, primeiro é preciso aceitá-la do jeito que é. Portanto, senhoras e senhores, é necessário saber dos "limites" - que impomos e que são impostos- sobre o objeto de afeto. A convivência é uma arte que poucos dominam. Sei que requer paciência, aceitação, cuidado, conhecimento, tempo. Doses múltiplas de coisas que tenho tão pouco. Mesmo nas mais banais formas de relacionamento esse "pacote" é indispensável. Pense, por exemplo, naquele seu amigo de colégio ou faculdade cuja determinada característica tanto irritava os demais. Por que você foi capaz de acolhê-lo e os outros nem tanto? Porque foi feito um difícil exercício de aceitação. Antes do amor, vem o convívio e, com ele, a aceitação.


Também não me disseram que, para realmente amar o próximo, devemos desfazer de pedaços de nós mesmos, abrir mão de certos caprichos e cultivarmos a tolerância. Não sabia que, para amar uma amiga, um irmão, uma tia ou um homem, necessito, antes, amar a mim, saber dos meus parâmetros, dos meus porquês; para só então decidir que parte de mim vou amenizar para que aquele relacionamento funcione. Não se engane: nenhuma relação dá certo sem sucessivas concessões - de todos os lados.


E, por fim, soube que o amor dói por essência. Que é um sentimento nobre porque nos força a moldar o caráter e tomar decisões. Afinal, que fazer com todas as dores de cabeça que ele nos traz?

5 de jan. de 2011

Somente o Necessário

Faça uma lista das dez coisas que você realmente precisa.Sabe, aquele Top Ten do Must Do,Must Have. Gaste o tempo que for necessário com isso:é um exercício importante de ponderação. Pense sobre aquelas coisas ou pessoas sem as quais o dia fica sem graça, incompleto. Pronto?

Pois bem, risque a lista toda. Nada do que tenha escrito é tão prioriário quanto você mesmo. Soa pedante, piegas e chato, mas é isso aí. A verdade é que, 24 horas por dia, perseguimos aquilo que queremos. Mesmo que estejamos encurralados em salas de aula e de escritório chatos, suportamos porque há um contracheque no fim do mês. Ainda que estejamos presos em relacionamentos não tão agradáveis quanto deveriam ser, toleramos algumas convivências por socialização, comodidade,masoquismo, indentificação. O ponto importante é: somos o eixo da nossa existência.

Assim, nada é mais importante para uma vida boa e descontraída do que a paz interna. E isso é atingido pelo autoconhecimento. Reflexões profundas e íntimas. Foi em um desses monólogos que consegui aprender uma lição: não deposite sua felicidade em alheios. Deixe que os outros participem da sua alegria, dissemine-a, mas nunca permita que sejam o motivo do seu sorriso. Muitos dos que conhecemos estão apenas de passagem pela nossa vida, e quando lhes confiamos nossa intimidade, eles se vão com parcelas irreproduzíveis de quem somos.

Seja sincero, verdadeiro, inteiro. Conheça e seja explorado. Mas sempre guarde uma porção de si intocável, inatingível. Novamente, é uma quarta feira e minha cabeça está bastante confusa. Por uma série de razões, algumas das minhas teorias sobre a vida estão sendo questionadas. Então, me peguei pensando: qual o relacionamento mais longo que já tive? Durou vinte um anos, comigo mesma. Sejamos sinceros: não é uma relação que vai terminar tão cedo. Portanto, pareceu bastante sensato fazer as pazes.

E, se para tal for preciso que eu esteja no topo da Must Do, Must Have List, que assim seja.


22 de dez. de 2010

Evento aleatório e improvável

Quais são as chances de você conhecer uma baixinha de All Star sujo, coberta de rosa da cabeça aos pés, que lê a Divina Comédia? Quais as oportunidades de encontrá-la tomando uma Coca – Cola, vestindo a camisa do Glorioso, se esparramando na grama do aterro com Vigiar e Punir do lado? Qual a probabilidade de vê-la no shopping, olhando as vitrines, admirando coisas que não vai comprar, rindo com um amigo (gay ou hetero), falando besteira e mandando duas mensagens de texto por segundo?

Isso sou eu, essa estranha combinação de fatores isolados. Mais carteado do que isso, só mesmo você ter me encontrado no Twitter por sorte (ou azar, vai saber); em frente a General Severiano, na estação do metrô, na escola ou na faculdade. Sabe... Essas conspirações loucas do Universo para que pessoas desconhecidas nutram algo em comum: compatibilidade. Dentre todas as zilhões de almas que existem no planeta, algumas cruzam meu caminho. Deste grupo, uma parcela contraiu afinidade comigo. E um quinhão dessa parcela são meus parentes e amigos. Quais as chances disso acontecer?

Se estivéssemos na Grécia antiga, diria que foi trabalho das Parcas, as tecelãs do destino. Se fosse religiosa, diria que foi Deus. Sei lá, alguma mágica qualquer. Fato é: me intriga saber que, de alguma matemática bizarramente insana feita por alguém, resultou esse grupamento de pessoas com quem divido meu dia. Dentre todas as faculdades de Direito, parei na FGV, dentre todos os colégios possíveis, cursei o Zacca na turma de Humanas, dentre todos os alvinegros possíveis, tenho a amizade de alguns; dentre todos os gays espalhados pelo Rio de Janeiro, conheço uns dez ou vinte. O quão curioso isso é?

O que mais me interessa, no momento, é saber por quê raios, de um sábado à noite do qual nada esperava, me surgiu um enigma. Desse jeito mesmo, num lançar de dados invisíveis, me deparo com um garoto que usa Power Balance, mesmo sabendo que não funciona. Um garoto que riu de mim e comigo, que desembesta a falar em Inglês quando fica sem graça, que não curte futebol (!?), que tem sido a companhia mais engraçada que já tive. Esse menino, que consegue estranhamente fazer a Terra parar de girar, surgiu em um evento aleatório e improvável. Nem do Herrera eu lembro, quando estamos juntos.

É uma quarta-feira, está tarde, estou cansada e com bastante soninho. E nessas condições anormais de temperatura e pressão, não consigo parar de tentar calcular quais eram as chances disso tudo acontecer. Quanto mais me surgem perguntas, mais distantes ficam as respostas. E sequer lembro como se faz uma árvore de Teoria dos Jogos.

Vai entender.

7 de dez. de 2010

Preto e branco insolúvel

Dezembro chegou, pensei que não iria conseguir. Dois mil e dez se encaminha para o fim e, depois do ano - perrengue que passei, só posso respirar aliviada. Foram 12 meses particularmente complicados, cheio de altos e baixos e pouco espaço para respirar. Simplesmente #tenço.

Olhando para trás, só posso concluir que fui obrigada a abandonar uma parte de mim que era muito inocente. Fui compelida a crescer. Remédios que não são amargos não surtem efeito. Assim, cá estou! Doze meses mais velha, doze meses mais vivida, doze meses mais... Enfim. Um ciclo se fecha coroado por muitas risadas, lágrimas, surpresas e novidades.

Sem dúvida, foi um ano marcado por novas experiências: primeiro estágio, primeira vez como monitora, primeiro concurso público. As novidades não foram apenas no campo acadêmico: aprendi a me reafirmar como pessoa, a ouvir mais, a procurar informações, e a me esforçar para aceitar os outros como são. Amadureci na marra e o “in between’’ não foi agradável.

Pela primeira vez, amigos que amo muito vão se separar de mim. Vão pra longe, inalcançáveis pelo meu abraço. Sentirei falta deles, embora possa conservá-los no pensamento e no coração. É uma parte de mim alçando vôo para o outro lado do Atlântico. As cadeiras vazias de vocês, na faculdade, vão simbolizar mais do que consigo descrever.

E, também, pela primeira vez, criei laços profundos em pouco tempo. Falo dos meus botafoguenses, daqueles com quem compartilhei sentimentos indescritíveis nos últimos meses do Campeonato Brasileiro. À eles, meus agradecimentos, por ter feito esse fim de ano ser memorável. Por todos os telefonemas, conversas, broncas, risadas, confidências, idas aos treinos e aos jogos. Foram meses insanamente estranhos.

Certa vez, me disseram que o melhor do Botafogo são as amizades que ele ajuda a cultivar. Arrisco a afirmar que essa frase não poderia estar mais correta. Obrigada, então: Thiagos, Carols, Lennon, Nessa, João, Ian, Joás, Breno, Ana, Lucas (o porquinho!), Hermínia, Cayo, Felipe, LahhDraven, Isabella; e tantos outros com quem dividi o sentimento preto e branco.

Igualmente registro meus agradecimentos e abraços àqueles que fazem parte da comunidade colorida, que me carregaram pras nights mais divertidas que já tive. Sempre me alegrando e ouvindo. E, claro, trazendo dignidade pro meu cabelo.

Que venha 2011.

Obs: E,claro, obrigada Herrera...Por ser o Hererra. *_* SEU LINDO.

25 de nov. de 2010

Questão de Ordem Pública

Pareciam imagens de um filme violento, à moda de "Tropa de Elite." Mas não eram. Cenas verdadeiras (porém, surreais) multiplicaram-se na televisão e na internet: a violência tomou conta da minha cidade. O meu Rio de Janeiro sucumbiu em poucos dias, curvando-se a um dos maiores problemas que possui: o tráfico.

E a culpa disso, de quem é? Podemos apontar o dedo para tanta gente e enumerar infudáveis fatores. Obviamente, a questão é bastante complexa e inesgotável num simples post. A discussão vai longe. Mas acho que o ponto inicial da discussão é o Estado, ente intangivel que sofreu metamorfose ao longo da História. Diversos modelos emergiram e ruíram, por razões que não convém aqui demonstrar.

A proposta que vingou em diversos países, inclusive o nosso, foi o Neoliberalismo. Em seu bojo, veio o sistema econômico Capitalismo, recém campeão e saído da Guerra Fria. Sem dúvida, muitas das impropriedades sociais são frutos deste sistema que trouxe a perseguição endoidecida pelo capital e lucro. As desigualdades que acarreta, os abismos sociais que semeia, o desejo pelo consumo que desperta. Não sou hipócrita: me é cômodo ser da classe média e desfrutar das regalias que são bem-vindas. Porém, isso não me impede, não NOS impede, de questionar as bases sobre as quais nossa rede socio-econômica se funda e perpetua.

Vivemos, também, numa Democracia. Logo, dispomos de um importante mecanismo de expressão: o voto. Espero, sinceramente, que o caos que se instalou no Rio de Janeiro sirva de lição. Espero que, da próxima vez em que formos colocar nossos dedinhos numa urna, as imagens de tanques de guerra invadindo a cidade sirvam para dissuadir aqueles que "protestam" elegendo palhaços -literalmente- ou os que anulam seus votos por simples desinteresse.

E o Direito? E a lei? E os Direitos Humanos? Gostaria de poder argumentar àqueles que hoje brandiram "matem esses criminosos" que a solução não é essa, e, sim, fazer valer as garantias presentes na Constituição e na lei: educação, moradia, emprego,etc. Todavia, não vou ser ingênua, sei que há limitações de recursos para tal. Também torci pelos policiais que se esgueiravam nas favelas, também desejei a morte dos traficantes, também quis que todos recebessem o arsenal de indignação, raiva e desespero que todos os cariocas sentiram nos últimos dias. Bom seria se os direitos presentes na Carta Política pudessem ser exercidos, mas a realidade que está sendo esfregada nos nossos narizes não é essa.

E a solução, qual é? Não sei. Mas é um bom começo pensar que cada um de nós tem participação nesse Armageddon. Enquanto as coisas não mudam, vamos ficar entrincheirados em nossas casas, acuados, com medo de um poder paralelo, para além do asfalto e de nossa imaginação.

O pontapé inicial é sempre o mais difícil. A meu ver, é estudar e pensar muito, fazer a diferença no minimamente possível. Mas, diga-me: por onde começamos?